quarta-feira, 25 de junho de 2014

Inverno: recolher-se e preparar novos caminhos para que haja viDas em comunhão

“Enquanto durar a terra,
não deixará de haver sementeira e ceifa,
 frio e calor, verão e inverno,
 dia e noite.”  Gênesis 8.22

21 de junho marca o início do inverno no hemisfério sul do planeta.  O eixo de inclinação da Terra, nosso pequeno planeta, muda em relação ao sol. Combinado com o movimento de translação, esse incrível balanço planetário faz com que as estações do ano migrem pelas diversas áreas do planeta. Simples assim, mas ao mesmo tempo, tão grandioso!
O inverno tem diferentes características dependendo da região do planeta. Perto da região equatorial, o inverno é marcado por fortes e abundantes chuvas, enquanto que o verão é a estação seca. Mas é quente o ano todo. O Brasil, esse país de dimensões continentais, pode ver a variada criação de Deus em todas as estações do ano. Para quem mora mais ao sul do Brasil, na região central, no norte ou nordeste, o inverno se apresenta diferente, variado e belo. Em toda essa multiplicidade podemos ver cumprir-se a promessa divina: se não houvesse a variação das estações do ano, as secas e estações das águas, não teríamos a riqueza de alimentos e recursos naturais que utilizamos para nos manter. É bonito perceber que a diversidade é bela, está nos planos de Deus e é boa, definitivamente boa. Diversidade de pensamentos, de raças, línguas, também.
Em nossa cultura o inverno remete ao clima europeu, sul americano, norte-americano. Lembramos-nos das árvores que deixam suas folhas caírem no solo, recolhem-se buscando forças na profundidade da terra, para voltarem a produzir folhas e frutos na primavera. É uma quaresma, um advento do clima. É tempo de recolhimento, sim, mas recolhimento ativo, tempo de buscar forças, animar a fé, buscar comunhão, solidificar a esperança. Porque logo vem a ocasião de produzir frutos, trabalhar com afinco, realizar a paz e a justiça divina, para que haja viDas em comunhão, onde quer que estejamos, da pequena cidade até a metrópole que nunca dorme.
O
início do inverno de 2014 marca o falecimento de Rose Marie Muraro. Escritora que superou os invernos de recolhimento e, com muita energia, palavras abertas, linguajar simples e acessível, denunciou a sociedade que, na cidade e no meio rural, trata as mulheres com inferioridade e indignidade. Rose Marie desejou que também as Igrejas fossem transformadas, reconhecendo que também no seio das igrejas cristãs existe a exploração e o preconceito contra as mulheres. Sua obra e seu legado nos fazem pensar que é preciso mais do que invernos de recolhimento para que haja viDas em comunhão. É preciso a explosão de folhas e flores da esperança, a mudança desejosa dos frutos, a ousadia de reconhecer o pecado que precisa ser denunciado a fim de que a vontade de Deus se cumpra.
Obrigada, Deus, que nos concedeu 83 invernos seguidos de primaveras de tua justiça na vida de Rose Marie Muraro. Permita, Deus, que nós possamos, como Tu mostras na natureza, aproveitar os tempos de recolhimento para somar forças, a fim de agirmos no tempo certo, buscando em todo o tempo viDas em comunhão.
Pastora Carla Andrea Grossmann

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